
ESCORPIÃO – signo solar dos nascidos aproximadamente entre 23 de Outubro e 21 de Novembro (a verificação da hora de nascimento é de enorme importância para percebermos exatamente em que grau se encontra o Sol). Signo regido pelo planeta Marte, modo fixo, elemento água.
Nota prévia para o leitor – este texto pretende ser uma informação sobre os pontos que caracterizam o signo Escorpião e não substitui (de todo) uma consulta de Astrologia – todas as pessoas possuem o seu mapa natal baseado no dia, mês, ano, local e hora exacta de nascimento e todo um contexto de vida; os signos solares e suas características não definem por si só quem somos.
Quando o Outono se aprofunda e instala de forma mais concreta e visível, chega Escorpião.
Se usarmos a metáfora da infância, Escorpião é como uma criança silenciosa, observadora, extremamente sensível que não pretende revelar-se a qualquer um. O seu mundo interior é um turbilhão: deseja ser amada por todos os que o rodeiam mas as cautelas parecem impedir que essa amor floresça. Observa, guarda informação, acumula. Nada esquece e tudo processa de forma emocional, e são as emoções que gravam a experiência que está a ter.
Na espiritualidade acreditamos que os arquétipos que nos influenciam podem ser vividos de forma mais consciente e lunmnosa, e Escorpião não é excepção.
Deixando para trás os usuais epítetos que até os próprios nativos de Escorpião se atribuem sobre o seu signo solar (“mau-feitio”, “intenso”, “complicado”), pretendemos apontar algumas das direcções do caminho de alma do Escorpião. A intenção deste texto não é generalizar, antes esclarecer quem vive com esta energia de perto.
Se até a Deusa Kali, na mitologia védica, representa não apenas uma divindade feminina destruidora mas um dos alter egos de Shiva ou uma manifestação de Parvati, a deusa esposa de Shiva, Escorpião tem também várias formas de se manifestar que dependem sempre do ambiente em que se insere e da aprendizagem e escolhas que faz nesta vida.
O mito da Fénix enquanto ave mitológica oriunda da Etiópia, que se pensa ter sido uma reinterpretação do mito egípcio do Benu, ave única da sua espécie que quebrou o silêncio com um enorme grito logo após a criação do mundo primordial e que simbolizava de igual modo o reconhecimento da vida (origem) e da morte (fim que dá origem a mais vida), é referido por Pierre Grimal nas duas variantes greco-romana: a Fénix, águia de dimensões consideráveis e a única da sua espécie, preparava ela mesma a sua pira funerária perfumando com ervas e incenso um ninho funerário. Na primeira versão, a Fénix entraria em auto-combustão e das suas próprias cinzas nasceria uma nova ave; na segunda versão, a Fénix impregna a pira funerária com o seu próprio sémen, e nasce então uma nova ave que carrega o corpo da sua progenitora morta voando escoltada por um bando de aves de outras espécies, num cortejo fúnebre singular, até que a deposita no sul do Egipto no templo do Sol.
Há um paralelo entre este mito e a energia de Escorpião: capaz de recomeçar do zero, capaz de se levantar mais forte depois de um desafio de vida doloroso, não se importando de lidar com o lixo emocional, seu e dos outros (deve pensar, no entanto, até quando isso é saudável, saber impôr limites). No entanto, o auto-boicote, a auto-destruição, são vias que o Escorpião por vezes escolhe, quando ainda não encontrou a sua missão de alma. Seja através de palavras destrutivas, sarcásticas, seja aniquilando o outro com observações mordazes que escondem uma dor que não consegue resolver (ainda).
Podem ser pessoas avessas a intromissões na sua privacidade, reservadas e observadoras, percebem claramente a hostilidade quando paira no ar, e têm a enorme qualidade de conseguirem tomar partido pelos injustiçados e underdogs, revelando também um sentimento de atracção enorme pelos mistérios e segredos mais ocultos do ser.
Uma capacidade acima do normal para reparar nas fraquezas alheias e para descobrir segredos que se pensavam completamente enterrados, é outra das facetas desta energia. A cura emocional faz parte do caminho do Escorpião, a dedicação a causas nobres, à cura dos outros, o entendimento do que está oculto, fará sentido sempre que se preparar a sua própria cura e equilíbrio antes de querer e poder ajudar os outros.
O sexo é uma das formas primordiais de se ligar ao outro, e para a energia escorpiónica isto irá sempre no sentido de fusão entre duas entidades que o Escorpião, quando ama, deseja ardentemente que sejam uma só, como se de um novo ser se tratasse.
Dane Rudhyar aponta como uma das características deste arquétipo a necessidade de usar o sexo como uma via para a espiritualidade, um êxtase que os deixa mais perto de Deus ou do divino. Claro que nem sempre o arquétipo é vivido deste modo e pode entrar, como já referi, em excesso e espirais muito menos interessantes do que a sexualidade sagrada.

Um dos mais belos tesouros do Escorpião é a capacidade quase ilimitada de dedicação àqueles que ama. Tem uma enorme dificuldade em aceitar uma mentira ou não ser levado a sério. Precisa de escavar até à última de todas as respostas e o seu grande desafio neste aspecto poderá ser o de saber lidar com elas.

Uma das lições para quem reflete na sua carta natal esta energia escorpiónica é a de aceitar que de tanto se colocar o dedo na ferida do outro, terá de aprender a também ser pressionado nas suas próprias feridas por quem mais ama e melhor o conhece. Tem de aprender a transformar a sua acutilância e por vezes crueza em amor e dedicação positiva às pessoas certas e assim desabrochar em toda a sua capacidade de regeneração, transformação e cura (seja ela espiritual ou física), abandonando toda e qualquer tendência para comportamentos obssessivos que não são senão um desvio do seu principal caminho: amar de forma profunda e transformar-se a si mesmo e aos que ama em alguém melhor e mais luminoso.
Relembra algumas das missões de alma do Escorpião:
O PROGRAMA EVOLUIR permite que conheças as vias da Espiritualidade Moderna, pede informações aqui
Boa semana!
Bibliografia usada:
BAILEY, Alice. The Labours of Hercules – An Astrological Interpretation. Lucius Publishing New York, 2000 (edição original: 1974)
BURT, Kathleen. Arquétipos do Zodíaco. São Paulo, Pensamento. 1988.
CIRLOT, Juan Eduardo. Dicionário de Símbolos. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999. (edição original: 1969).
GRIMAL, Pierre. Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Difel, 1999. (edição original: 1951).
RUDHYAR, Dane. A Astrologia da Transformação. São Paulo, Pensamento. 1980.
RUDHYAR, Dane. Tríptico Astrológico. São Paulo, Pensamento. Sem data.